História

1995 foram um divisor de água na minha vida. O ano da grande virada. Após a terceira internação dependência química – que seria a ultima – estava determinado a fechar aquele circulo e virar a mesa.

O ponto de partida da minha jornada de redenção foi uma viagem em busca de novos horizontes, com meu brother Rodrigo, para fora no Brasil.

Primeira parada: Londres. Inevitável aprender inglês e estar num lugar que tudo pulsa. Passando um mês entre festa e auto-conhecimento, levantamos uma grana e então deixamos a “churrasqueira” (apelido do quartinho onde morávamos) para traçar outros caminhos. Dessa vez iríamos para cortina d'Ampezzo, uma estação de esqui na Itália, onde dois amigos de Itajaí, os gêmeos Armando e Alexandre viviam.

O feriado de páscoa marcava o encerramento da temporada na neve e nos sinalizava que era hora de seguir em frente. Varias cidades Italianas, bons amigos, muitas histórias e alguns contatos.
Mais tarde, decidimos aceitar o convite do snow boarder Nicola que nos encontraria em dois dias em Fuerte Ventura, Ilhas Canárias. Espanha, num bar chamado KIWI. Será que fazemos nosso destino ou sendo fiéis a nos mesmos ele nos encontra?

Ainda não, sei mais deixamos Madri rumo ao arquipélago, já mais imaginei que lá, em Fuerte Ventura, encontraria todas as coisas que gosto em um só lugar: Sol, praia, onda com fundo de pedra, mulheres lindas, boa comida, amizades desinteressadas e vida simples. Estava prestes a desembarcar na maior aventura da minha vida. Aquela que me colocaria frente a frente comigo mesmo.

Minha única duvida naquele momento era o local do nosso encontro com Nicola. Eu pensava: ”KIWI, não existi um bar com esse nome”.
Mas o KIWI era real. E acabou se tornando uma espécie de segunda casa na ilha. O lugar onde todos se reuniam.
Um referencial geográfico e afetivo.

De volta ao Brasil, em 1997, quando estava para abrir o bar na Praia Brava, só faltava o nome. Alem de o KIWI ter sido o ponto de partida do ano da minha virada, existia ainda outro fator que me deixava claro que esse era mesmo o nome certo para meu bar.

Em 1994, eu havia acompanhado a luta do meu primo Ricardo contra um câncer fulminante no estômago. Todos os dias eu ia na casa do Nelsinho, primo e melhor amigo, que era irmão do Ricardo. Ficávamos horas seguidas ouvindo ele tocar guitarra.
E uma das lembranças mais recorrentes que pelo fat o do câncer estar no estômago dificultando a digestão, um dos únicos alimentos que faziam bem para o Ricardo era o KIWI. Passei momentos preciosos ao lado de Ricardo e Nelsinho (os dois já falecidos), momentos que me ensinaram viver o agora, o presente. Eles me mostraram a importância da vida.

Depois de alguns anos do KIWI aberto, fiquei sabendo que KIWI designava também um pássaro especial, um pássaro fiel que quando sua fêmea morre, ele passa o resto da vida só.

Hoje, depois de todas as trajetórias de desafios e sucessos do KIWI, eu penso que um nome pode ser qualquer coisa: um pássaro, uma fruta, um lugar, não faz diferença, o que realmente importa é que ele seja a sua verdade, a sua historia.

Aloha! Terence